16.7.08

esses meus dias sem a escrita

eu não vou escrever nada bonito nem lírico porque eu não tô inspirada.
vou só me descrever, me denotar, me anedotar, contar um pouquinho do que tem sido esses meus dias sem a escrita (há muito tempo eu não escrevo, enquanto antes escrevia todos os dias)

eu tava tão certa do que eu queria, tava tão certa dessa minha parcial ou quase total antisocialidade, o tal auto-exílio tão presente em tudo o que eu escrevi até agora, e enfim, acordei.
Eu ainda valorizo e valorizo tanto os meus momentos, eu ainda estou só boa parte do tempo, e aproveito o máximo desses momentos. Qual é a lógica da dependência entre as pessoas? Por que as pessoas se sentem mal estando consigo mesmo? Eu sou pra sempre a minha melhor companhia.

Mas eu senti de novo o gosto de socializar, de rir com gente que eu não conheço, de falar das mais diversas besteiras. Não só com as pessoas de sempre, que eu via sempre, que eram um refúgio quando estar só era tão frequente que transformava o deleite em tédio. Estou lentamente me reincluindo - NÃO, eu não vou rir do que me apetece, não vou ouvir músicas desconexas ou falar com quem me dá nojo. Mas dar uma oportunidade às pessoas para me mostrar o que elas podem ser afora a imagem. Saber dividir meu tempo entre a diversão com eles e a diversão comigo. É bom ter com quem rir. Quem mais me corresponde, infelizmente, eu não posso ver todos os dias. Mas talvez se eu visse todos os dias não me correspondesse tanto assim. Tudo, um pouco de longe, tem mais beleza. É necessário um amor um pouco míope para se tolerar a convivência.

Eu comecei a ver as coisas de outra maneira. Fui, com um grande sorriso, a um show de Teatro Mágico, para o qual eu não queria ir por INÚMEROS motivos que não vou perder tempo citando. Porém a ventura me trouxe um ingresso de graça, e aí? Fui. Fui e me reformulei. Prestei atenção em cada detalhe das letras que de tão repetidas pra mim já tinham perdido o sentido, e entendi o lirismo, o sentimento que é posto ali. Achei lindo quem quer que seja que vive de arte. Gostaria de ter coragem - não tenho. A arte é o que me alimenta, quem seria eu sem música? Me embebedo de música, a música é a minha droga, enfim. E o teatro foi por muito tempo minha terapia, me dói admitir que não é mais - mas voltará a ser quando puder, eu me prometo!

Eu agora vi que os sonhos são outros, eu vi o valor da emoção de novo. Eu estava tão racional. Estava (e estou) me jogando nas exatas, estudando (e continuo, não pretendo parar), racionalizando, negando o ilógico, ponderando, escondendo-me. Eu fui até tímida por muito tempo. Não sei como me tornei, eu era tão falante, e gargalhante, tão feliz! eu não sou infeliz, mas não tenho um sorriso estampado na cara, e também já não escrevo bem como antes (eu já nem escrevo. estou quase me obrigando a escrever isso aqui, porque sei que é escrevendo que sei me expressar melhor - olha aí, estou negando expressões)

eu reconheço o valor das emoções, do amor, da pureza, da dúvida, da incerteza. reconheço que tenho que sentir mais e deixar fluir tudo ao meu redor, sem me isolar de nada e nem ninguém porque ninguém é uma ilha (acho eu). Não é só isso que o show me permitiu pensar, eu lá pensei em tanta coisa pra escrever, um raro momento de inspiração, porém demorei pra passar pro papel, e tão rápidas como as idéias vieram à mente, se foram. Ainda sinto de leve o abrir de olhos que esse show me proporcionou. Com o perdão do clichê maior de todos, desabrochei.

1 .:

Daniela Piva disse...

Você tem mesmo 16 anos??? Rs...
Você escreve muito bem! Adorei o texto do velório...
Beijão!