Ora, mas é muito bom mesmo ver que a sabedoria popular tem razão ao dizer que aqui se faz e aqui se paga. Rir da desgraça alheia não é nem nunca foi muito bonito, mas deixando de lado todo e qualquer falso moralismo, digo: Bem feito.
Achar-se superior, desmerecer e humilhar, deixar no chão, desestruturar alguém. Frustrar alguém. Deliberadamente. Agora bem feito, meu bem. O destino fez de você uma mulher pobre, não só no bolso mas no espírito. Uma mulher ignorante, desprovida do saber. Preguiçosa, no pior sentido da palavra, da inércia diante da vida - você NUNCA será nada. E não diga que foi por falta de oportunidade, dê graças à Deus que você me conheceu, que recebeu minha ajuda. Mas jogou a minha ajuda fora, junto com seu futuro, com a sua beleza, você era linda!
Pois que fique aí com sua vidinha medíocre, com sua apatia diante da vida e da morte. Com seu amor de conveniência, com sua aparência nojenta. Você jogou no lixo tudo que havia de bom em você. E eu? Eu rio sim, sem culpa - eu lhe superei, superei os males que você me trouxe. Se você achou que eram permanentes, enganou-se, minha flor, hoje rio e rio com gosto!
25.3.08
Rir com gosto
12.3.08
descrer
eu desacredito de tudo.
tenho tentado achar fiapos de luzes ao fim de um túnel - que túnel? - que eu não sei nem se tem fim.
mas, sendo franca, destes tempos, tenho a dizer apenas que tenho desacreditado de tudo. de qualquer possibilidade de rendição.
6.3.08
uma fase que, thanks god, já passou.
dois pequenos textos, escritos de qualquer forma, sem estética ou intenção.
refletem bem uma fase que, thanks god, já passou.
I
Preciso aprender com o silêncio. A preservá-lo, a compreender as mensagens implícitas nele.
E as vantagens de me omitir. De guardar em mim o que penso de tudo.
O silêncio grita quando há constrangimento, acalma quando há agonia.
Vou calar-me e morar em mim. Deitar na cama e olhar pra dentro, vou sair dessa inércia mental e aprender tudo que me apetecer. Numa viagem interna, para sempre e sem volta.
II
O encanto se perdeu. Nem dor eu senti.
São também os sentimentos frutos da imaginação. Algumas idéias ficam, enquanto outras se vão tão rápido que nem se percebe. Você veio e antes que eu piscasse os olhos, se perdeu no abismo do desencanto.
Eras tu idéia pura, idealizei-te pela minha total impossibilidade de tocar-te, como faziam os poetas românticos. Mas eu não sou romântica - sou só. Chamei de emoção a melhor das idéias.
Enquanto mistério eu lhe interessava, enquanto dúvida lhe apetecia, lhe fiz pensar. Ao revelar-me tu nada soubes de mim, mas eu enxerguei-te no íntimo. O lado podre da maçã, como você se referiu.
Não és quem supus, querido. És real, e por seres, me nauseia.
29.2.08
me surpreendi
vou ser objetiva:
me surpreendi em saber que a situação de caos que eu antes assistia e não conseguia ficar quieta (injustiça e preconceito me deturpam o ânimo, eu perco o controle) continua firme e forte, ainda que sem minha presença.
a tendência é que o tempo melhore as coisas, sim, é, mas parece que vai demorar muito mais do que o aceitável.
é que minha vida tá tão leve, sabe, os dias estão passando de uma forma boa, não há mais atritos, fiz as pazes comigo e com o resto das pessoas que eu convivo.
e a distância desse caos me levou a crer que as coisas melhorariam, mas ilusão minha.
sei que parece egoísmo, mas dou graças à sorte pela minha distância.
e peço à mesma sorte, ou ao deus de quem acredita, que resolva as coisas por lá.
escrevo apenas, e só apenas, pra deixar registrado um pedacinho da minha indignação. :)
26.2.08
Nublado em mim
Está sol lá fora, mas nublado em mim.
Enganei a mim mesma o tempo suficiente pra que a realidade me batesse na cara.
sinto-me podre por dentro, e apodreço mais por não compreender meus motivos.
quero expor-me ao íntimo, quero pôr nestas letras cada ínfima parte do meu desespero mudo, da minha dor lenta, da melancolia em que me enfiei.
a dor é uma decisão.
decisão de não aceitar o estado que me foi designado desde que nasci, que me acompanha aonde quer que eu vá.
é uma decisão não lutar contra este estado.
é uma decisão fingir não me importar.
sinto como se fugissem todos. escondem-se, assistem de camarote enquanto eu luto duramente com a realidade. Enquanto estou de eterno luto. Enquanto choro imóvel, enquanto tiro cada dia um pedaço de mim, sem mover um músculo. Luta? Não há. Não ouso me mover.
Sou submissa. Aceito. Não questiono. Deixo que um simples detalhe leve embora a cor do meu rosto. Deixo que meus raros dias de sol se despedacem sem reclamar.
Quero dormir e sonhar com outra mulher que não eu. Qualquer que seja. Qualquer uma que não precise fingir.
Eu sou uma farsa.

