28.10.08

so sorry, it's over

todo mundo aponta e fala, sem conhecer as circunstâncias.

eu também aponto, também julgo. o que falta no mundo é espelho.
não o espelho que estimula a vaidade, o que mostra o rosto maqueado. Mas o que mostra o que é real, um espelho que reflita o que há por dentro, sem máscaras, sem as falsas imagens que tentamos ostentar.  Mas de tão podres, nos auto-destruiríamos - como aguentar ver tais imagens e associar a nós mesmos?  não aguentamos a verdade, ela dói.

eu encho de eufemismos o que aconteceu, porque talvez nem importe tanto assim, mas é mais bonito que não importe, é mais cool que eu finja que tá tudo igual. tem muita coisa que foi colocada em jogo por um segundo apenas, por alguns copos de cerveja, por algumas inconsequências. quem tá de fora não enxerga.
quem tá de fora não vê - julga. não entende - crucifica. não há quem esteja por dentro, quem entenda as sutilezas. 

fecho os olhos, desconfundo, sorrio e espero pra ver. 
do futuro eu não sei NADA!

25.10.08

meu grito, em mim

eu aceito meus defeitos óbvios.

aceito que perfeita não dá pra ser, que eu vou mesmo ter que errar e quebrar a cara mil e cinquenta vezes pra aprender. eu só aprendo assim. caindo. 

eu quero que me deixem cair. em paz.
mas não quero uma paz consentida, paz submissa, em que se cala a boca perante as ordens e determinações dos outros. submissão não tem vez em mim - não há espaço pra ela.
eu quero uma paz conquistada, uma paz de acordo, uma paz que é paz porque os eventuais causadores da discórdia e do desprazer entendem o tamanho da minha necessidade de paz. 

eu sei da minha imaturidade, eu sei dos meus erros mais vis, dos mais condenáveis. sei da imagem contrária que tento ostentar, em alguns casos. a minha paz é paz em guerra, quero paz ainda que conturbada, eu vivo em paz com a minha guerra.
quero poder ter vontade, quero poder desejar, quero poder ir lá e fazer - sem dedos me apontando, sem ordens do contrário. Não peçam para que eu me cale, o meu grito, em mim, é eterno há tempos, estou começando aos poucos a lançar seus sons ao mundo.

não tenha medo de enxergar o que há por dentro.

30.9.08

deixa o verão

não adianta que nem que eu queira eu vou deixar o deleite pra mais tarde, o mais tarde é muito tarde pra mim, o "quero agora" voltou com força total.
está incrustada em minha pele a necessidade do prazer, do deleite, da gargalhada, do exagero e da inconsequência.
sabe o que me dá forças? saber que amanhã vai acabar, e que eu vou querer de volta.
não deixo ir embora, me agarro, me seguro aos meus bons momentos- eles são mais que bons. eles são insanos, loucos, exageradamente indescritíveis. quero-os aqui pelo máximo de tempo que eu conseguir. deixa o futuro pra mais tarde. e tenho dito.

5.9.08

está na moda não se importar

fingir, fingir, sempre fingir.
a gente acorda todo dia escolhendo qual dos papéis desempenhar.
quem diz que não liga pra imagem desempenha o papel de quem não liga pra imagem - está na moda não se importar.
sua cara vale mais que o que você diz, e o que você diz vale mais do que o que você de fato é, e assim vamos nós, nesse blablabla infindável, assim vamos nós.
continuemos a fingir - fingir é humano.

(quero pertencer a outro filo)

1.9.08

gente que nunca cresce

quero voltar cinco vezes no tempo, pra apagar a imaturidade dos outros, e pra continuar a ser sincera comigo ainda que mil dedos se voltem pra mim simultaneamente. Porque ainda que eu não faça o que eu de fato quero, que eu não respeite minhas vontades, meus valores e faça o que eles fingem achar certo, os dedos continuam em riste, apontados, eternamente.
é um julgar mal julgado, uma falta de vergonha na cara, uma hipocrisia velada que ninguém nem percebe a existência, de tão presente que está, de tão incrustada na pele de cada mínimo ser que cruzar a linha da socialidade.

tem gente que nunca cresce.