Seres humanos esperam uns dos outros,
Pais esperam bons filhos, filhos esperam bons pais, gerentes esperam bons empregados, empregados esperam bons gerentes. Empresas esperam bons clientes, clientes esperam boas empresas. Namorados esperam bons namorados. Amigos esperam bons amigos.
Esperam todos de todos os lados, já não há tempo nem para respirar!
Hoje percebi que nem sempre todo mundo consegue cumprir todos os seus papéis
papel de pai, de mãe, de escritor, de amante, de trabalhador, de ser humano
Falhar pode ser fatal.
Hoje encaro a incerteza de escrever pra ninguém ler. que fim isso terá?
nunca soube terminar as coisas
nunca soube terminar os textos
ou soube? eu sei mentir, sei atuar
ou não sei?
duvido agora até de mim?
Ora essa, mas por que não duvidar!
Vou-me embora agora, pra onde não sei, pretendo me perder e que nunca mais me achem
ou talvez eu queira que me encontrem
já não sei, me perdi
Boa noite, até a próxima, até a volta, até o fim.......
9.6.07
escrevo uns versos, depois rasgo
26.2.07
sem fim
~
vou de lá, vou de cá, me procuro sem cessar
uma explosão de vontades
de cores de curiosidades
implosão de curtos-circuitos de sentimentos sem nome
sem cor e sem cheiro e sem gosto
sentimentos sem porquê
promessas nunca terminadas, finais nunca alcançados.
vontades reprimidas retraídas oprimidas.
mostre-me tudo, mostre-me tua cara, mostre-me se sabe sangrar, se sabe suportar os reflexos dos meus atos nos seus.
mostre-me. eu quero ver.
outro retrato em branco e preto
minha vida entrou no trem e eu fiquei na estação vendo o céu fugir.
todos os meus amores não possuem cores;
todas as minhas ânsias fugiram pra onde meu corpo não possa alcançar.
Eu falava de mim, de você, de nós, da vida. Mas não havia ninguém pra ouvir.
Eu prefiro o silêncio.
Eu prefiro a calma. Eu prefiro o deserto que meu coração é e será, mesmo que eu às vezes tente tirar ele de lá.
eu prefiro me ter como companhia, eu sempre soube me fazer feliz, eu sempre soube ouvir meu próprio grito, pintar minhas próprias cores.
minha solidão é minha maior arma, minha maior virtude, meu maior trunfo.
eu amo a mim como nunca amei a ninguém, eu peço-te agora que saia do quarto e feche a porta antes que eu te peça pra ficar. Já conheço os passos dessa estrada, sei onde vai dar tudo. No final serei eu e o espelho e o único conforto é o meu desengano. dias tristes, noites claras. histórias de amor em bloco de notas com finais felizes que não existem
do nada parece que nada mais quer existir.
só essa vontade de estar só.
no deserto, sem saudade, sem remorsos, só, sem amarras, parto embriagada ao mar.

