5.10.07

Moral?

há um código de comportamento pairando sobre nós.
fazer o que não se quer virou moda, agora.
sorria, você está sendo observado.
chego a sentir o gosto do clichê.
e a solução?
finge que tá tudo bem.

Que moral é essa? Por que fechar os olhos pra uns e abrir para os outros? Mais uma vez, prefiro fechar os dois e me prender em mim. não há nada lá fora que não possa haver aqui dentro.

Nós só vamos embora quando tudo terminar.

2.10.07

teatro

o teatro me renova, é minha terapia.
encontrar personagens dentro de mim,
me ver de mil jeitos diferentes num mesmo espelho.
não sei o que estava em minha cabeça quando larguei o curso, mas voltei e parece que nunca saí.
Acho que todo mundo devia fazer teatro. Esse é o texto menos lírico do meu blog, mais parecido com um relato da minha vida. Mas eu gosto do lirismo. E o teatro é o meu lirismo. O teatro é meu lirismo exagerado transformado em real. O teatro é minha válvula de escape.

Escrever também me renova, mas o teatro é o teatro.
me perder de olhos fechados nas músicas maravilhosas e assumir uma personalidade escondida dentro de mim! não sei como consegui ficar um ano sem isso.

sentir, esta é a palavra de ordem. "Não atue, por favor". Sinta.
me sinto, literalmente, sentindo.
Mal posso esperar até a próxima terça.

1.10.07

um sorriso pintado a noite inteira

estou podre, vou me decompor em segundos.
é preciso tomar cuidado pra não sucumbir.
talvez essa história de renascer das cinzas não funcione mais.
eu escondo a dor num sorriso que pinto no meu rosto,
com cerdas de velho um pincel formados por fios de boas lembranças
sinto-me falsa, sinto-me usando máscaras
antes eu queria ir embora, agora eu preciso.
ir pra algum lugar onde eu não precise fazer planos.
onde eu esqueça pra sempre o gosto da frustração.

28.9.07

Ao tempo, uma prece.

Minhas noites com sol, meus lentos olhares ao redor.
rezando baixo pra que o tempo não demore a passar.
dancei por tanto tempo que hoje nem que eu quisesse poderia parar.
Não seria fácil convencer os meus pés a manterem-se inertes.
Não seria fácil perder meu ritmo, deixar de me perder em meio ao som

Ao tempo, uma prece.
Se com o tempo, involuímos,
sou capaz de infimamente tudo para parar aqui.
ou até retroceder.


tudo hoje é tão fácil que perde a graça
palavras que queimam, abraços que se perdem
bem-vindo à frieza do terceiro milênio.
Vivemos numa neve eterna.

Fecho os olhos para lembrar, e fecho os olhos pra esquecer.
Pra quê mantê-los abertos? Minha vontade de ver, de repente, cessou. Não há nada de belo lá fora que não possa haver aqui dentro.

Os rostos vão despedaçando-se.
A lembrança, se fica, se torna vã.
Um mero fiapo da vida que se costumava levar.

As plantas crescem em direção ao sol.
Seres humanos crescem em direção ao chão.
Chão duro e impenetrável,
Frio e implacável: Morte.

Não te preocupes; levarei tuas dores embora
não terá com que te preocupares,
teus medos, derreterão, e você entenderá.

não se preocupe em entender, viver ultrapassa todo o entendimento

13.9.07

Poesia em prosa

sinto-me presente. De presente, sinto. De repente, sinto.
Sinto no presente. Quem não cala mente, mente também aquele que não fala.
Feita de mentiras é a nossa casa.
Soltou da minha mão quando enxerguei o chão. De repente sinto.
De repente existo. Sinto o chão em mim, a dor de não sentir.
Lutar pode doer. O sangue já não cai mais de tanto sangue que derramaste antes sem justa causa.
Venha conversar. Venha contemplar.
Contemplar a vinha, ver o mar. Maresia que sopra.
De longe sinto e procuro escutar.
És o mar, és o ar, és o tempo e és meu lar.
Já não sei. Não sei se já. Sei que não. Ou não, eu já sei. Confusão.
O que é entender, o que é me perder.
Meu olho na janela. Me olho na janela. Espelho de mim mesma. Mim no espelho mesmo.
Português não é razão. O que pode ser certo, o que é sua lição?
Às vezes meu coração bate no ritmo errado, desaprendo meus gestos e venho a cantar.
Canto como quem não houve a própria voz. Para onde estou indo, o que foi feito de nós?
Nada me pertence e a nada pertenço eu. Me nade, me pertence, me perca por nada.
3 meses de amor sem garantia.
3 vezes sem juros de alegria
Encoste o sol no mar e compreenda sua euforia.
Fazer sentido pode não fazer sentido algum.
Como se houvesse uma linha por onde seguir.
Quem a desenhou?
Quem a descobriu?
Quem me limitou?
Quem espera mais da vida põe o dedo aqui. Não põe o dedo onde não foi chamado, não vá chorar pelo leite derramado
Aguente o espelho quebrado, deite-se no gramado e ponha-se a chorar. ou a rir.
Viva no teatro da vida, no clichê, no melodrama. O que é duro é duro e não quebra nem que a tal da água mole bata por dias inteiros. Adeus.


Escrevo para você, que não me conhece. Na esperança de que venha um dia a ler.